Chernobyl e Césio em Goiania - 31/30 anos depois



A cidade de Pripyat já foi o modelo perfeito do que pode-se chamar ‘modo de vida soviético’. Construída na década de 70, ela abrigava as famílias dos funcionários da usina nuclear de Chernobyl. Hoje, tudo que fica nas proximidades da zona de exclusão de Chernobyl está abandonado.

Há 31 anos, no dia 26 de abril de 1986, o derretimento do reator n.º 4 da usina nuclear de Chernobyl causou o pior acidente nuclear civil da história. A radiação foi expelida da instalação, contaminando tudo ao seu redor e destruindo a vida dos cidadãos locais.

As autoridades evacuaram aproximadamente 43.000 pessoas de Pripyat nos dias seguintes ao desastre. A cidade, com seus prédios, hospitais, escolas, restaurantes, centros culturais e instalações desportivas, se tornou uma cidade fantasma desde então

Em ocasião do 31º aniversário do acidente nuclear de Chernobyl, marcado em 26 de abril no Dia Internacional de Lembrança do Desastre, a ONU destacou a necessidade de reforçar a cooperação internacional para enfrentar as consequências que ainda persistem da pior catástrofe nuclear da história.

A explosão da usina atômica da cidade em 1986 espalhou material radioativo por uma área de 155 mil km2, envolvendo Belarus, Ucrânia e Rússia.

Cerca de 8,4 milhões de pessoas foram afetadas pela radiação nuclear, inclusive 600 mil que faziam parte dos combates ao incêndio causado pela explosão e das operações de limpeza.

As áreas agrícolas, de aproximadamente 52 mil km2, foram contaminadas com césio-137 e o estrôncio-90. Mais de 400 mil pessoas foram realojadas em outras áreas, mas milhões continuaram vivendo em locais onde a exposição à radiação causou uma série de efeitos adversos.

Os esforços da ONU para ajudar na recuperação da região começaram em 1990, quando a Assembleia Geral aprovou a resolução pedindo cooperação internacional para lidar com o problema.

Desde o desastre nuclear, programas e agências das Nações Unidas, junto a organizações não governamentais, lançaram mais de 230 projetos de pesquisa e assistência nas áreas de saúde, segurança nuclear, meio ambiente, produção de alimentos e informação.

Não podemos ainda esquecer que tivemos um grande acidente com material radioativo no Brasil, o caso do Césio 137 em Goania.

A tragédia começou quando dois jovens catadores de materiais recicláveis abriram um aparelho de radioterapia em um prédio público abandonado, no dia 13 de setembro de 1987, no Centro de Goiânia. Eles pensavam em retirar o chumbo e o metal para vender e ignoraram que dentro do equipamento havia uma cápsula contendo césio-137, um metal radioativo.

Apesar de o aparelho pesar cerca de 100 kg, a dupla o levou para casa de um deles, no Centro. Já no primeiro dia de contato com o material, ambos começaram a apresentar sintomas de contaminação radioativa, como tonteiras, náuseas e vômitos. Inicialmente, não associaram o mal-estar ao césio-137, e sim à alimentação.

Depois de cinco dias, o equipamento foi vendido para Devair Alves Ferreira, dono de um ferro-velho localizado no Setor Aeroporto, também na região central da cidade. Neste local, a cápsula foi aberta e, à noite, Devair constatou que o material tinha um brilho azul intenso e levou o material para dentro de casa.

Devair, sua esposa Maria Gabriela Ferreira e outros membros de sua família também começaram a apresentar sintomas de contaminação radioativa, sem fazer ideia do que tinham em casa. Ele continuava fascinado pelo brilho do material. Entre os dias 19 e 26 de setembro, a cápsula com o césio foi mostrada para várias pessoas que passaram pelo ferro-velho e também pela casa da família.

A primeira vítima fatal do acidente radiológico foi a garota Leide das Neves Ferreira, de 6 anos. Ela se tornou o símbolo dessa tragédia e morreu depois de se encantar com o pó radioativo que brilhava durante a noite. A menina ainda fez um lanche depois de brincar com a novidade, acabou ingerindo, acidentalmente, partículas do pó misturadas ao alimento.

O acidente fez centenas de vítimas, no entanto, o Governo de Goiás e as autoridades envolvidas só assumiram quatro mortes, ocorridas pouco depois do acidente, incluindo o caso da menina.

No âmbito radioativo, o acidente com césio-137 só não foi maior que o registrado na usina nuclear de Chernobyl, em 1986, na Ucrânia, segundo a Cnen. Cerca de 6 mil toneladas de lixo radioativo foram recolhidas na capital goiana e levada para Abadia de Goiás, onde permanece até os dias atuais.

Passadas quase três décadas, os resíduos já perderam metade da radiação. No entanto, o risco completo de radiação só deve desaparecer em pelo menos 275 anos.


FONTES:
Acidente. Acidente nuclear de Chernobyl faz 31 anos. 2017. Disponível em: <https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/radioonu/2017/04/26/acidente-nuclear-de-chernobyl-faz-31-anos.htm?cmpid=copiaecola>. Acesso em: 03 ago. 2017.


BR, Onu. Chernobyl 31 anos depois: cooperação internacional ainda é necessária para enfrentar consequências.2017. Disponível em: <https://nacoesunidas.org/chernobyl-31-anos-depois-cooperacao-internacional-ainda-e-necessaria-para-enfrentar-consequencias/>. Acesso em: 03 ago. 2017.

NOTICIAS, Yahoo. O desastre de Chernobyl: a cidade fantasma 31 anos depois do acidente nuclear. 2017. Disponível em: <https://br.noticias.yahoo.com/o-desastre-chernobyl-cidade-fantasma-slideshow-wp-074711705.html>. Acesso em: 03 ago. 2017.

VELASCO, Murilo. Maior acidente radiológico do mundo, césio-137 vira história em quadrinhos. 2017. Disponível em: <http://g1.globo.com/goias/noticia/2017/01/maior-acidente-radiologico-do-mundo-cesio-137-vira-historia-em-quadrinhos.html>. Acesso em: 03 ago. 2017.
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