O Capital de Marx - 150 Anos.

O mundo mudou muito desde que Karl Marx escreveu "O Capital" mas não mudou a essência das relações de produção capitalistas", nem a sua natureza exploradora.

O Capital (em alemão: Das Kapital) é um conjunto de livros (sendo o primeiro de 1867) de Karl Marx que constituem uma análise do capitalismo (crítica da economia política). Muitos consideram esta obra o marco do pensamento socialista marxista. Nela existem muitos conceitos econômicos complexos, como mais valia, capital constante e capital variável, uma análise sobre o salário; ou sobre a acumulação primitiva. Resumindo, sobre todos os aspectos do modo de produção capitalista, incluindo também uma crítica sobre a teoria do valor-trabalho de Adam Smith e de outros assuntos dos economistas clássicos.

Resultado de duas décadas de pesquisa sobre o modo de produção capitalista, iniciada ainda em 1844 com os manuscritos Econômico-filosóficos, O Capital se propunha a ser uma “crítica da economia política”; ou seja, crítica da ordem social do capital e de sua mais elaborada representação ideológica. As categorias da economia burguesa eram deslindadas progressivamente não apenas em seu aspecto puramente econômico, mas também em sua dimensão política e ideológica, num movimento totalizante de compreensão do fenômeno social que partia de sua manifestação mais imediata, para a evidenciação de suas múltiplas determinações e conexões. Assim, apareciam não apenas as relações de exploração, como fundamento do processo de acumulação de capital, mas também o caráter alienante do trabalho e o conteúdo meramente formal da igualdade e da liberdade vislumbradas pela legalidade burguesa.

Quando lançado em alemão, o livro I não teve a repercussão esperada por seu autor, principalmente junto à classe operária. Pelo restante de sua vida, Marx não conseguiu publicar as partes posteriores de seu plano de pesquisa, dedicando-se em certa medida a divulgar o livro I e a organizar sua edição em outras línguas. Assim deixou pilhas de notas em estágios variados de sistematização e acabamento, que foram editadas e complementadas por Engels e publicadas como os livros segundo, em 1885, e terceiro, em 1894. Antes de morrer, Engels passou a tarefa de edição do livro quarto a Kautsky, que o publicou apenas em 1905. Apesar de todas essas vicissitudes nos cento e cinqüenta anos seguintes O Capital se tornou uma das obras mais traduzidas, comentadas e influentes do mundo, lido por acadêmicos, executivos, mas principalmente pelos lutadores sociais com o propósito não apenas de compreender a ordem social do capital, mas de aboli-la.

O Capital é um texto volumoso e pesado, de difícil compreensão. Não obstante, compreendemos que boa parte da dificuldade em ler e compreender a obra magna de Marx se deve ao não conhecimento do método dialético de exposição. A compreensão sistemática de O Capital só pode ser alcançada mediante uma análise de seu método expositivo. A exposição de Marx é completamente estranha ao método desenvolvido e aplicado pelos economistas clássicos. O Capital não deve ser compreendido como uma obra de Economia Política, mas, sim, como uma obra filosófica, à luz da filosofia de Hegel e da tradição dialética, nascida entre os filósofos gregos da antiguidade.

Marx investiga a mercadoria, que chama de forma celular do capital. A partir dela desenvolve os conceitos de valor de uso e valor de troca, trabalho concreto e trabalho abstrato, chega assim a uma nova teoria do valor. Investiga também as formas do valor e encontra o dinheiro como equivalente universal de troca de mercadorias. Desvela o fetiche, processo pelo qual a mercadoria ganha vida e passa a dominar as relações sociais. No momento seguinte, o processo de troca é analisado, do qual surge apenas uma relação comercial, onde um vendedor se relaciona com um comprador de mercadorias. O operário e o burguês não aparecem como tal, mas apenas o proprietário da mercadoria e o proprietário do dinheiro. Nessa esfera abstrata, as classes sociais estão mistificadas, ocultadas na forma de indivíduos iguais, livres e proprietários, realizando uma “justa” troca de equivalentes.

Claro que o capitalismo se modifica, mas o que não muda é a lógica. O capitalismo visa o lucro, a maximização do lucro, e a transformação de tudo em mercadoria, inclusive o intangível. O que é mercadoria e pode ser vendido, isso se expande, e cada vez mais. Alguns serviços providos pelo Estado, o chamado welfare, saúde, educação, não eram uma mercadoria durante um período. Ao menos nos países ocidentais esses serviços eram prestados pelo Estado. Agora ocorrem as privatizações, que cada vez mais transformam os commons em mercadoria, seja a água, seja saúde ou outras coisas.

O Brasil é parte do sistema capitalista. Então O capital dialoga, de alguma forma, com a realidade do país; se não diretamente, ao menos indiretamente. Essa é um pouco a força desse livro, que é tão abrangente que aponta como funciona o capitalismo tanto faz quando e tanto faz onde. Isso torna O capital tão atual, porque não descreve o capitalismo na Inglaterra no século XIX, é uma análise do mecanismo de funcionamento. Então enquanto persiste esse mecanismo, e você é parte disso, você pode encontrar nesse livro alguns caminhos, independente se você está no Brasil ou na África. Claro que há a critica de que toda a visão de Marx é extremamente eurocêntrica, e isso está correto em relação a alguns de seus escritos. Mas acho que isso não se aplica à análise de O capital e sua discussão do sistema.



Para saber mais (vídeo em espanhol)

FONTES
COLETIVA, Obra. O capital. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/O_Capital>. Acesso em: 15 abr. 2017.

GLASS, Verena. Aos 150 anos, “O capital” ainda dá respostas. 2017. Disponível em: <http://rosaluxspba.org/aos-150-anos-o-capital-ainda-da-respostas/>. Acesso em: 15 abr. 2017.


21, Marxismo. 150 anos de O Capital. 2017. Disponível em: <http://marxismo21.org/150-anos-de-o-capital/>. Acesso em: 15 abr. 2017.

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