Semana de 22: Arte moderna no Brasil!!


Um dos principais eventos da história da arte no Brasil, a Semana de 22 foi o ponto alto da insatisfação com a cultura vigente, submetida a modelos importados, e a reafirmação de busca de uma arte verdadeiramente brasileira, marcando a emergência do Modernismo Brasileiro.

Para se entender o processo do movimento modernista brasileiro é necessário olhar para o contexto das duas primeiras décadas do século: ainda muito presos ao academicismo e às influências francesas da belle époque, alguns jovens de São Paulo, intelectuais e artistas começam a sentir a necessidade de uma atualização das artes, ao mesmo tempo que uma busca de identidade nacional, através do retorno às raízes culturais do país. Estes anseios de modernização e de nacionalismo são desencadeados pela Primeira Guerra e pela proximidade dos festejos do primeiro centenário da Independência.

As informações fragmentadas sobre as vanguardas vindas da Europa vão confluir com esta necessidade de renovação. Alguns eventos e exposições marcam este período e antecedem a eclosão do Modernismo Brasileiro, na Semana de Arte Moderna de 1922. A exposição de Lasar Segall, em 1913, apesar de não causar muita repercussão, vai sinalizar contatos com as vanguardas alemãs. Entretanto, será a exposição de Anita Malfatti, em 1917, que instiga os artistas e jovens intelectuais a se organizar como grupo e promover a arte moderna nacional, que terá lugar em São Paulo, embalado pelo progresso e industrialização acelerada, contando ainda com a presença maciça de imigrantes italianos- o que acaba facilitando a ausência de uma tradição burguesa e conservadora como a existente no Rio de Janeiro.

Em 1920, o grupo de jovens paulistas, já denominados futuristas descobrem Victor Brecheret, recém chegado de Roma. Sua escultura pós-Rodin, as estilização das figuras monumentais e o vigor e expressividade das tensões musculares, alongamentos e torções das esculturas causam grande impacto e, de imediato, o grupo polariza-se em torno do escultor.

A partir daí sentiu-se a necessidade de um evento de magnitude e acompanhado de escândalo que marcasse estas novas direções da arte, trazidas pelos incidentes com Anita e pelo ingresso de Brecheret ao grupo - este evento será a Semana de Arte Moderna de 22.

Era perceptível uma inquietação por parte de artistas e intelectuais em relação ao academicismo que imperava no cenário artístico. Apesar de vários artistas passarem temporadas em Paris, eles ainda não traziam as informações dos movimentos de vanguarda que efervesciam na Europa. As primeiras exposições expressionistas que passaram pelo Brasil - a de Lasar Segall em 1913 e, um ano depois a de Anita Malfatti - não despertaram atenção; é somente em 1917, com a segunda exposição de Malfatti, ou mais ainda com a crítica que esta recebeu de Monteiro Lobato, que vai ocorrer uma polarização das idéias renovadoras. Através do empresário Paulo Prado e de Di Cavalcanti, o verdadeiro articulador, que imaginou uma semana de escândalos, organiza-se um evento que irá pregar a renovação da arte e a temática nativista.

Desta semana tomam parte pintores, escultores, literatos, arquitetos e intelectuais. Durante três dias - entre 13 e 17 de fevereiro - o Teatro Municipal de São Paulo foi tomado por sessões literárias e musicais no auditório, além da exposição de artes plásticas no saguão, com obras de Anita Malfatti, Di Cavalcanti, Victor Brecheret, Ferrignac, John Graz, Martins Ribeiro, Paim Vieira , Vicente do Rego Monteiro, Yan de Almeida Prado e Zina Aíta ( pintura e desenho ), Hildegardo Leão Velloso e Wilhem Haarberg ( escultura ). As manifestações causaram impacto e foram muito mal recebidas pela platéia formada pela elite paulista, o que na verdade contribuiria para abrir o debate e a difusão das novas idéias em âmbito nacional.

Os brasileiros procuravam inovação nacional, a arte feita pelos habitantes da terra dos tupiniquins. A Semana de 22, aconteceu no Teatro Municipal, entre os dias 11 e 18 de fevereiro de 1922. Ela foi dividida em três seções, nos dias 13, 15 e 17, em que eram divididos em esculturas, pinturas, música, etc. Nela, o Brasil pode se libertar e conseguir a livre expressão da criatividade, sem total influência das vanguardas europeias, que guardavam consigo as tendências culturais do Fauvismo, Expressionismo, Futurismo, Cubismo, Dadaísmo e Surrealismo.

Em meio a conflitos sociais, no Brasil e também no Mundo, a Semana de Arte Moderna aconteceu. Ela ocorreu em meados da Primeira Guerra Mundial. O evento foi, de certa forma, conturbado. Por um lado, era aceito; já por outro, muito criticado. O Brasil passava pela época da República Café com Leite, em que Minas Gerais e São Paulo alternavam-se no poder.

O país tinha suas políticas fundamentadas na cultura europeia. O Brasil necessitava de uma libertação de um padrão não original. Os artistas brasileiros voltavam da Europa aderindo à cultura. Um deles, Oswald de Andrade, voltou implementando a cultura do Futurismo, sendo influenciado por Marinetti, o precursor do mesmo movimento.

As vanguardas europeias influenciavam os artistas brasileiros e os outros artistas afirmavam que o Brasil estava atrasado culturalmente. A inquietude antecedia a Semana de 22. O artista lituano, Lasar Segall, veio para o Brasil em 1912. A viagem que fez para encontrar seus irmãos, que residiam aqui, fez com que ele criasse uma de suas primeiras obras.

A Semana de Arte Moderna teve sua inauguração com uma palestra do escritor Graça Aranha. Ele juntamente com os trabalhos apresentados por Guilherme de Almeida, com suas músicas e poesias. Após a apresentação de Aranha, houve aplausos. No mesmo dia, teve apresentação de Heitor Villa-Lobos, Ronald de Carvalho e música de Ernani Braga.

A semana de 22 funcionou, basicamente, como uma grande exposição para todo o país ficar a conhecer o que tinha de mais novo no meio artístico e nas ciências artísticas como, por exemplo, os novos conceitos de arquitetura e design.

Por causa da história e folclores brasileiro serem muitos ricos, essa semana marcou época com muita variedade de ideias e conceitos que renovaram a cena artística brasileira e, além disso, influenciou grandemente muitos futuros artistas.

Um dos principais objetivos da Semana de Arte Moderna foi, com certeza, desvincular o Brasil das regras e amarras da arte européia, explorando a capacidade artística em todos os sentidos, mas especificamente em terras nacionais.


PARA SABER MAIS:






FONTES:
CONTEMPORÂNEA, Museu Arte. Antecedentes. Disponível em: <http://www.mac.usp.br/mac/templates/projetos/seculoxx/modulo2/modernismo/anteced/index.htm>. Acesso em: 28 abr. 2017.

________. A Semana . Disponível em: < http://www.macvirtual.usp.br/mac/templates/projetos/seculoxx/modulo2/modernismo/semana/index.htm>. Acesso em: 28 abr. 2017.

MAGAZINE, Obvius. O Modernismo no Brasil e a Semana da Arte Moderna. Disponível em: <http://obviousmag.org/archives/2014/02/arte_moderna_brasileira.html>. Acesso em: 28 abr. 2017.

MODERNA, Semana de Arte. Semana de arte moderna. Disponível em: <http://semana-arte-moderna.info/>. Acesso em: 28 abr. 2017.


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